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Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data a ser celebrada

Oito executivas negras se reuniram para a capa da Revista RAÇA Brasil do mês de julho • Divulgação

Porto Velho, RO - Esta semana celebramos uma data que nasceu da luta e da urgência. Há décadas, o 25 de julho foi instituído para nos lembrar das mulheres negras da América Latina e Caribenhas. Mulheres que resistem nesta parte do planeta, onde as violências se repetem com mais frequência que em qualquer outro lugar.

Aqui o racismo se apresenta em todas as áreas: na política, na economia que nega acesso, na saúde que adoece primeiro quem está na base. E é justamente na base da pirâmide que as mulheres negras estão, em maior proporção, sustentando famílias, comunidades e países inteiros, com o trabalho e com a fé. É um tempo duro para refletir, mas também um tempo necessário para celebrar. Lembrar as vitórias que não vieram por acaso, as conquistas arrancadas na luta do dia a dia.

Semana passada tive o privilégio de reunir oito executivas negras para a capa da revista RAÇA Brasil deste mês. Oito trajetórias, oito jeitos de enfrentar o mundo corporativo que, por muito tempo, não foi feito para elas. E, naquele momento, pude perceber que não era só um ensaio fotográfico. Havia história, cansaço, estratégia e muita alegria de quem está avançando e abrindo porta para que outras passem. Cada uma chegou lá carregando o peso de ser "a primeira" em algum momento da vida e a responsabilidade de não ser a última.

Nos depoimentos, verdades que "não passam em branco". Para a Head de Marketing para a América Latina na Adobe, Camila Miranda, a conta é clara: “O talento nunca foi o problema. O acesso ainda é”. Posterior a ela, a Diretora de ESG do Publicis Groupe Brasil, Rejane Romano, lembrou que não existe futuro caindo do céu: “O futuro que desejamos não acontece por acaso. Ele é construído todos os dias.”

E continuou a VP da KAT Invest, Mara Marconde, com uma definição sobre poder: “Representatividade não é ocupar uma cadeira. É abrir caminho para que talento e competência sejam reconhecidos.”

A head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura, Aline Lima, foi direta sobre sobrevivência: “Minha maior vantagem competitiva sempre foi ser inteira, e não apenas aceitável.”

Na sequência, a presidente do Instituto Pactuá, Iris Pereira, trouxe fôlego: “A sua história pode começar em qualquer lugar. O importante é que ela não termine onde os outros disseram que era o seu limite.”

Já a CEO da Pallas Athenas Engenharia, Elisabeth Reis Santos, falou sobre legado: “A verdadeira liderança não está no espaço que conquistamos, mas nas oportunidades que criamos para que outras pessoas cresçam.”

A Líder de Produção e Processos na Bayer, Maria Lorena, resumiu a equidade em uma frase: “Equidade não é sobre privilégios. É sobre ter acesso!”

E fechou a gerente de Compras e Soluções B2B da VIVO/Telefônica, Prissila Souza, com a memória do caminho: “Conquistar espaço no mundo corporativo foi aprender a ocupar lugares onde, muitas vezes, mulheres negras não eram esperadas.”

Mais que um privilégio e aprendizado, ouvir as histórias dessas mulheres e saber o quanto estamos avançando na pauta da igualdade e justiça. O 25 de Julho não é só memória. É bússola. Ele nos lembra do ponto de partida, do tamanho do abismo que ainda existe, e da força de quem decidiu não esperar convite para entrar. Que este dia nos faça refletir sobre as violências que persistem e, ao mesmo tempo, nos encha de orgulho pelas mulheres negras que, todos os dias, transformam a resistência e transformação em futuro.

Fonte: CNN Brasil
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