Porot Velho, RO - A história de superação de um juiz, que saiu das ruas como vendedor de pipoca até alcançar a magistratura após ser aprovado em mais de 70 concursos, teve um desfecho inesperado. O magistrado acabou sendo demitido após decisão do tribunal responsável.
Segundo a corte, a medida não se baseou em um episódio isolado, mas em um conjunto de comportamentos considerados incompatíveis com o exercício da função pública. A avaliação apontou um padrão de conduta que comprometeu a permanência no cargo.
O caso chama atenção por contrastar uma trajetória de esforço e persistência com a exigência contínua de postura ética e responsabilidade inerentes à magistratura.
A decisão reforça que, além de alcançar cargos públicos por mérito, é fundamental manter conduta adequada ao longo da carreira, especialmente em funções que exigem elevado grau de responsabilidade e confiança pública.
Ambiente de trabalho
Entre os episódios analisados, um chamou atenção pela simbologia: o juiz teria feito um comentário depreciativo ao ser recepcionado por servidores com um café da manhã.
A apuração descreve um ambiente de trabalho marcado por tratamento considerado grosseiro e desrespeitoso com servidores, assessores e outros profissionais do sistema de Justiça. Também foram relatadas atitudes que contrariavam rotinas básicas do Judiciário.
As acusações não se limitaram ao ambiente interno. Segundo o processo, o magistrado também teria adotado comportamentos considerados inadequados fora do fórum, especialmente em relação ao sistema prisional.
Há relatos de que ele mantinha proximidade com detentos e realizava visitas a unidades prisionais em situações fora do padrão institucional.
Em um dos casos, é acusado de permitir que um preso utilizasse seu celular para fazer ligações externas.
A investigação aponta ainda que o juiz teria levado crianças para visitar um detento fora do horário permitido e autorizado a presença de pessoas sem vínculo com o Judiciário em atos sigilosos, como audiências envolvendo violência doméstica.
Outro ponto que pesou foi o fato de, segundo o processo, ele ter feito críticas a decisões de colegas diretamente a presos, além de interferir na administração de unidades prisionais, extrapolando suas atribuições.
Padrão de conduta
Também foram identificadas possíveis irregularidades administrativas, como pedidos de diárias sem respaldo adequado e descumprimento de jornada de trabalho.
Para o TJRO, o conjunto dos fatos indicou que não se tratavam de episódios isolados, mas de um padrão de comportamento incompatível com a magistratura.
A corte ressaltou que todo o processo seguiu as garantias constitucionais, com direito ao contraditório e à ampla defesa.