Entenda o que são “redpill” e outros termos usados em grupos de ódio contra mulheres

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Entenda o que são “redpill” e outros termos usados em grupos de ódio contra mulheres

Manifestação do Dia Internacional da Mulher reúne ativistas em Copacabana em defesa do fim da violência de gênero – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Alô Rondônia)

Especialistas apontam que comunidades online misóginas utilizam códigos e expressões próprias para disseminar ideologias de hierarquia de gênero.

Porto Velho, Rondônia – Grupos organizados em fóruns de internet, redes sociais e plataformas digitais têm utilizado termos e códigos próprios para difundir ideologias que defendem hierarquias de gênero e hostilidade contra mulheres.

Especialistas apontam que esses movimentos fazem parte de um fenômeno social conhecido como misoginia, caracterizado pelo ódio ou desprezo direcionado às mulheres e pela defesa da manutenção de privilégios históricos para homens em diferentes áreas da sociedade.

Segundo pesquisadores, essas comunidades virtuais utilizam uma linguagem própria para se identificar e disseminar suas ideias, muitas vezes em ambientes anônimos ou de difícil moderação.

MACHOSFERA E COMUNIDADES ONLINE

Um dos termos utilizados para definir esse conjunto de grupos é “machosfera”, expressão que engloba diferentes comunidades online dedicadas à defesa de uma masculinidade considerada dominante e à oposição a pautas feministas.

Esses espaços costumam reunir:
  • fóruns anônimos na internet
  • canais em redes sociais
  • grupos em aplicativos de mensagens
  • comunidades digitais com conteúdo voltado ao chamado “masculinismo”
Especialistas afirmam que esses ambientes frequentemente disseminam discursos misóginos, teorias conspiratórias e ataques direcionados a mulheres.

O QUE SIGNIFICA “REDPILL”

Um dos termos mais conhecidos nesses grupos é “redpill”.

A expressão é inspirada no filme Matrix, no qual o protagonista toma uma “pílula vermelha” para enxergar a realidade oculta do mundo.

Nas comunidades da machosfera, o termo passou a ser utilizado para definir homens que afirmam ter “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam ou exploram os homens.

Dentro dessa lógica, esses grupos defendem que os homens devem retomar uma posição dominante nas relações sociais e afetivas.

OUTRAS COMUNIDADES ASSOCIADAS

Entre as principais comunidades e ideologias citadas por pesquisadores estão:

Incels (Involuntary Celibates)
Homens que afirmam não conseguir relacionamentos amorosos ou sexuais e culpam mulheres ou padrões sociais por isso. Alguns grupos associados a essa ideologia já foram relacionados a episódios de violência em diferentes países.

MGTOW (Men Going Their Own Way)
Movimento que defende que homens devem evitar relacionamentos com mulheres, alegando que as leis e a sociedade seriam desfavoráveis ao sexo masculino.

Pick Up Artists (PUA)
Comunidades que compartilham técnicas de manipulação psicológica para sedução, tratando relacionamentos como estratégias para obter sexo.

Tradwife
Termo usado para descrever mulheres que defendem papéis tradicionais de gênero, nos quais o homem ocupa posição dominante e a mulher assume exclusivamente funções domésticas.

HIERARQUIAS CRIADAS NOS GRUPOS

Essas comunidades também utilizam uma série de termos para classificar homens e mulheres dentro de uma suposta hierarquia social.

Entre eles estão:

Alfa – homem considerado dominante, líder e bem-sucedido.
Beta – homem visto como submisso ou sem influência social.
Sigma – homem considerado um “alfa solitário”, que não busca validação social.
Chad – figura idealizada de homem fisicamente atraente e desejado.
Stacy – termo usado para descrever mulheres consideradas altamente atraentes.

Especialistas afirmam que essas classificações reforçam estereótipos e visões simplificadas das relações humanas.

TERMOS E GÍRIAS UTILIZADOS

Além das categorias sociais, esses grupos utilizam expressões e siglas próprias.

Entre elas:
  • AWALT (All Women Are Like That) – ideia de que todas as mulheres têm o mesmo comportamento negativo.
  • Hipergamia – teoria de que mulheres buscariam sempre parceiros de status superior.
  • 80/20 – crença pseudocientífica de que 80% das mulheres se interessariam apenas pelos 20% de homens considerados mais atraentes ou ricos.
  • Bluepill – termo pejorativo para homens que defendem igualdade de gênero ou relacionamentos equilibrados.
RELAÇÃO COM VIOLÊNCIA

Pesquisadores e ativistas alertam que esses discursos podem contribuir para ambientes de radicalização online, nos quais mulheres passam a ser alvo de ataques virtuais ou campanhas de difamação.

Segundo especialistas, a disseminação dessas ideologias nas redes pode estimular comportamentos hostis e, em alguns casos, episódios concretos de violência.

No Brasil, a legislação também prevê mecanismos de combate a crimes de misoginia na internet, incluindo a Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a investigação de crimes relacionados à disseminação de conteúdos misóginos online.
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