Na Índia, Lula defende governança global da IA liderada pela ONU

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sessão plenária da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, Índia - Foto: Ricardo Stuckert/PR (Alô Rondônia)

Presidente afirma que modelos multilaterais são essenciais para enfrentar riscos democráticos e sociais

Porto Velho, Rondônia - Em discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada nesta quinta-feira (19) em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) lidere um modelo de governança global para regular o avanço das tecnologias de IA.

Lula afirmou que a rapidez da chamada Quarta Revolução Industrial, contrastando com o enfraquecimento do multilateralismo, exige um sistema internacional capaz de equilibrar inovação, desenvolvimento e segurança.

PRESIDENTE CRITICA FRAGMENTAÇÃO DE FOROS INTERNACIONAIS

Durante o discurso, Lula mencionou iniciativas internacionais já existentes, como:
  • a organização proposta pela China para cooperação em IA voltada a países em desenvolvimento;
  • a Parceria Global em IA (GPAI), estruturada pelo G7 sob as presidenças de Canadá e França.
Apesar de reconhecer avanços, Lula reforçou que nenhum desses mecanismos substitui o alcance universal da ONU. Para ele, apenas um modelo multilateral, com participação ampla e equitativa, poderá garantir regras internacionais legítimas e eficazes para o uso da tecnologia.

IMPACTOS POSITIVOS E RISCOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Segundo o presidente, a IA traz benefícios expressivos para diversos setores, como:
  • produtividade industrial;
  • modernização dos serviços públicos;
  • avanços na medicina;
  • segurança alimentar e energética.
Mas alertou que os riscos caminham no mesmo ritmo:
  • disseminação de discursos de ódio;
  • desinformação em larga escala;
  • pornografia infantil;
  • estímulo a crimes como feminicídio;
  • manipulação eleitoral por meio de conteúdos falsos produzidos por IA.
“Os algoritmos não são apenas códigos matemáticos. Eles podem interferir diretamente nas relações sociais e na estabilidade democrática”, destacou Lula.

BRASIL DEFENDE GOVERNANÇA QUE FORTALEÇA DEMOCRACIA

Lula afirmou que o Brasil apoia um modelo internacional que:
  • respeite as diferentes realidades e trajetórias dos países;
  • promova desenvolvimento com inclusão;
  • garanta que a IA seja usada para fortalecer a democracia e a soberania de cada nação.
“A governança deve ser inclusiva, multilateral e orientada ao desenvolvimento”, concluiu.

PROCESSO DE BLETCHLEY

A cúpula em Nova Délhi integra o Processo de Bletchley, série de reuniões globais iniciadas no Reino Unido em 2023 para discutir segurança e governança da inteligência artificial. O encontro na Índia é a quarta etapa desse alinhamento internacional.

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