Câmara de Porto Velho avança em projeto que regulamenta honorários de procuradores municipais

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Câmara de Porto Velho avança em projeto que regulamenta honorários de procuradores municipais

Câmara de Porto Velho iniciou a votação do projeto que padroniza regras para honorários de sucumbência dos procuradores municipais - Foto: Marcelo Gladson (Alô Rondônia)

Primeira votação abre debate sobre controle, transparência e distribuição dos valores

Porto Velho, Rondônia – A Câmara Municipal iniciou, nesta terça-feira (24), a análise do Projeto de Lei Complementar nº 1.432/2026, que regulamenta a administração dos honorários de sucumbência vinculados às ações judiciais em que o Município é vencedor. A matéria, proposta pelo vereador Gedeão Negreiros, foi aprovada em primeira discussão e segue para novas votações.

A proposta estabelece normas para depósitos, rateio e fiscalização dos valores recebidos quando a parte contrária é condenada ao pagamento de honorários advocatícios — um tema sensível dentro da administração pública pela natureza híbrida entre receita municipal e remuneração da advocacia pública.

O QUE MUDA COM O PROJETO

O texto define que os valores deverão ser centralizados em conta vinculada exclusiva, permitindo rastreamento das movimentações financeiras. A medida busca evitar discrepâncias na distribuição e padronizar a gestão dos recursos.

Entre os pontos centrais da proposta estão:
  • definição jurídica específica para os honorários de sucumbência;
  • critérios objetivos de partilha entre os procuradores municipais;
  • criação de mecanismos de controle interno e externo;
  • publicação periódica de informações financeiras;
  • exigência de prestação de contas formal.
A justificativa apresentada pelo autor aponta riscos de insegurança jurídica caso não haja regras claras sobre como os valores devem ser administrados.

PRESSÃO POR TRANSPARÊNCIA E FISCALIZAÇÃO

O debate ocorre num momento em que diferentes órgãos públicos têm sido cobrados pela sociedade e pelos órgãos de controle por mais clareza no uso de receitas acessórias, incluindo eventuais repasses a carreiras jurídicas.

Especialistas ouvidos pelo Alô Rondônia afirmam que, sem regulamentação, a gestão de honorários pode gerar questionamentos, especialmente quando envolvem cifras elevadas ou ausência de padronização no registro de valores.

A criação da conta vinculada é apontada como mecanismo que tende a facilitar auditorias do Tribunal de Contas e consultas por parte do Ministério Público.

PRÓXIMOS PASSOS NO LEGISLATIVO

Por ser uma Lei Complementar, o texto ainda precisa passar por segunda e terceira votações antes de ser enviado ao Executivo para sanção ou veto.
Parlamentares indicam que novas emendas podem surgir durante a tramitação, especialmente sobre:
  • limites para rateio;
  • formas de divulgação dos valores recebidos;
  • participação do controle interno na auditoria dos recursos;
  • impactos orçamentários para o Município.
IMPACTO PARA A ADVOCACIA PÚBLICA E PARA A GESTÃO MUNICIPAL

A regulamentação dos honorários de sucumbência é considerada relevante porque:
  • reduz margem para interpretações díspares entre gestões;
  • evita distorções na distribuição dos valores;
  • reforça a transparência, um dos princípios constitucionais da administração;
  • diminui o risco de litígios internos envolvendo procuradores;
  • padroniza procedimentos de controle e pagamento.
O tema, entretanto, deve seguir em debate, já que envolve interesses corporativos, aspectos de direito administrativo e responsabilidade fiscal.
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