Instituições receberam conceitos 1 e 2 na primeira edição do exame nacional, considerados insatisfatórios pelo Inep
Porto Velho, Rondônia – Quatro cursos de Medicina em funcionamento em Rondônia foram reprovados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação. As instituições receberam conceitos 1 e 2, faixas classificadas como insatisfatórias pelo Inep, e passaram a integrar a lista de cursos sujeitos a sanções administrativas.
CURSOS REPROVADOS EM RONDÔNIA
No estado, ficaram abaixo do nível mínimo considerado adequado:
- Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA) – conceito 2
- Afya Centro Universitário de Porto Velho – conceito 2
- Faculdade Metropolitana (UNNESA) – conceito 1
- Faculdade UNINASSAU Vilhena – conceito 2
O conceito 1 é o mais baixo da escala e indica desempenho crítico na avaliação.
O ENAMED
O Enamed é uma avaliação anual criada para medir o desempenho acadêmico dos estudantes e a qualidade da formação médica oferecida pelas instituições de ensino superior. A primeira edição foi aplicada em outubro de 2025 e avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país.
Segundo o balanço oficial do MEC e do Inep, cerca de 30% das instituições avaliadas tiveram desempenho considerado ruim. Ao todo, 24 cursos receberam conceito 1 e 83 ficaram com conceito 2, somando 107 cursos abaixo das faixas de aprovação. Um curso ficou “sem conceito”, por não atingir o número mínimo de participantes.
QUAIS SANÇÕES PODEM SER APLICADAS
Apesar do total de reprovações, o MEC informou que 99 cursos devem, de fato, enfrentar penalidades, já que instituições mantidas por estados e municípios não estão sob gestão direta da pasta federal.
As medidas variam conforme o conceito obtido:
- Conceito 2: impedimento de ampliar vagas e suspensão de novos contratos com programas federais como Fies e Prouni.
- Conceito 1: sanções mais severas, que podem incluir redução de vagas a partir do primeiro semestre de 2026 e, em casos extremos, suspensão do vestibular.
REAÇÃO DO SETOR PRIVADO
Os resultados foram anunciados pelos ministros Camilo Santana (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde) e provocaram reação imediata do setor privado. A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior divulgou nota manifestando “profunda preocupação” com o uso do Enamed como instrumento punitivo já em sua primeira edição.
A entidade argumenta que critérios essenciais — como parâmetros de desempenho, cortes de proficiência e consequências administrativas — só foram consolidados após a aplicação da prova, o que, segundo a ABMES, compromete princípios de previsibilidade, transparência e segurança jurídica.
DEBATE SOBRE METODOLOGIA E IMPACTOS
A associação defende que os resultados iniciais do Enamed sejam tratados como diagnóstico para aprimoramento progressivo do sistema e pediu a suspensão dos efeitos punitivos. Para a ABMES, a adoção imediata de sanções pode gerar instabilidade regulatória, insegurança jurídica e aumento da judicialização, além de impactos na oferta de médicos no país.
Antes mesmo da divulgação oficial, entidades do setor chegaram a tentar barrar judicialmente a publicação dos resultados, sem sucesso. Com os dados consolidados, o Enamed passou a ocupar o centro do debate entre mantenedores, estudantes e gestores da educação superior.
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