Ministro Fernando Haddad participa de evento oficial em Brasília durante lançamento de plataforma tributária - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil (Alô Rondônia)
Ministro defende que queda da Selic é possível e afirma que déficit primário tem diminuído nos últimos anos
Porto Velho, Rondônia – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal problema da dívida pública brasileira não está no nível de gastos do governo, mas sim no patamar elevado dos juros reais. Em entrevista ao UOL News, o ministro destacou que o déficit primário tem recuado significativamente, enquanto o custo dos juros segue pressionando as contas públicas.
JURO ALTO COMO FATOR CENTRAL
Haddad afirmou que, em dois anos, o governo reduziu em cerca de 70% o déficit primário. Para ele, a trajetória de queda demonstra que o desequilíbrio fiscal não é o principal fator que alimenta o aumento da dívida.
“O problema da dívida tem a ver com o juro real, não com o déficit, que está caindo”, declarou.
O ministro ressaltou que a meta fiscal de 2026 é ainda mais exigente que a dos anos anteriores, reafirmando a estratégia de aperto gradual das contas públicas. Ele também comparou o resultado atual ao déficit projetado em 2023, durante o governo anterior, lembrando que a estimativa superava 1,6% do PIB, enquanto o ano passado fechou em 0,48%, mesmo com exceções fiscais e devoluções relativas ao INSS.
SELIC E BANCO CENTRAL
Haddad voltou a defender que há espaço para uma redução da taxa Selic, atualmente em 15%. “Acho que tem espaço para cortar [os juros]”, disse, embora tenha mantido tom de respeito ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O ministro elogiou a atuação de Galípolo na condução de crises recentes, como a do Banco Master, que, segundo ele, foi herdada da gestão anterior. Haddad também reforçou seu apoio à proposta de ampliar o perímetro regulatório do BC, permitindo que a instituição passe a fiscalizar fundos de investimento — função hoje desempenhada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
REGULAÇÃO E ESCÂNDALOS FINANCEIROS
Para Haddad, a estrutura atual cria lacunas entre fundos e mercado financeiro que afetam até mesmo a contabilidade pública. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação direta com as finanças públicas”, afirmou ao defender mudanças no arcabouço regulatório.
“TAXAD” E POLÊMICA SOBRE TRIBUTAÇÃO
Questionado sobre o apelido “Taxad” nas redes sociais, o ministro disse não se incomodar e afirmou se orgulhar de ter taxado os mais ricos.
“Sou o único ministro da Fazenda dos últimos 30 anos que taxou offshore, fundo familiar fechado, paraíso fiscal e dividendo. Banco, bet e bilionário voltaram a pagar imposto”, declarou.
ECONOMIA E ELEIÇÕES
Haddad disse ainda que a economia não deve ser o fator decisivo nas eleições de 2026, no Brasil e no mundo. Segundo ele, pesquisas mostram que temas como segurança pública e combate à corrupção têm maior impacto no humor do eleitorado.
O ministro também afirmou que não pretende concorrer a cargos públicos nas próximas eleições, embora siga discutindo o tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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