Deputada afirma sentir “vergonha” ao encerrar mandato sem avanços para trabalhadores da saúde

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Deputada afirma sentir “vergonha” ao encerrar mandato sem avanços para trabalhadores da saúde

Deputada Cláudia de Jesus durante pronunciamento na ALE-RO - Foto: Reprodução/ALE-RO (Alô Rondônia)

Cláudia de Jesus critica desvalorização salarial, falta de especialistas e rejeição de emendas na ALE-RO

Porto Velho, Rondônia – Em um discurso carregado de críticas e frustração, a deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) afirmou estar “envergonhada” por encerrar seu mandato sem conseguir garantir avanços concretos para os trabalhadores da saúde pública de Rondônia. A fala ocorreu durante sessão na Assembleia Legislativa (ALE-RO), onde a parlamentar denunciou a falta de valorização dos profissionais, o afastamento de especialistas e o bloqueio de propostas apresentadas pela Comissão de Saúde.

DOIS ANOS NA COMISSÃO DE SAÚDE

Cláudia de Jesus destacou que presidiu a Comissão de Saúde por dois anos e atualmente ocupa a vice-presidência, ao lado da deputada Taíssa. Segundo ela, o colegiado sempre atuou de forma ativa, recebendo trabalhadores do SUS e ouvindo demandas da população.

“Dificilmente não estávamos ali recebendo profissionais ou cidadãos que dependem da saúde pública”, disse. A parlamentar também reforçou que foram entregues requerimentos, documentos técnicos e sugestões orçamentárias para fortalecer o setor.

FALTA DE VALORIZAÇÃO E ÊXODO DE ESPECIALISTAS

Em tom duro, Cláudia denunciou a situação crítica enfrentada pelos trabalhadores:

“Eu já vi pessoas morrerem neste estado porque faltava especialista. O especialista existe, mas não quer trabalhar para o Estado porque o que se paga não é viável.”

A deputada afirmou que técnicos de enfermagem e demais servidores estão adoecidos e endividados, reflexo da “mixaria” paga pelo governo.

EMENDAS PARA A SAÚDE FORAM REJEITADAS

Cláudia relatou que, após anos de cobranças sem resposta, apresentou emendas ao orçamento como instrumento legal para assegurar investimentos. Porém, as propostas foram rejeitadas sem debate na Comissão de Orçamento.

“Nem sequer nos deram o direito de participar da reunião. Se fosse para rejeitar, que houvesse debate, olhando nos olhos de cada parlamentar”, criticou.

Segundo ela, a deputada Taíssa também foi impedida de participar das discussões.

APOLOGIA AO SILÊNCIO E RETROCESSO NO DEBATE

A parlamentar classificou a atual condução política da ALE-RO como um retrocesso democrático, afirmando que o debate tem sido sistematicamente evitado.

“A política não se constrói escondida. Hoje vemos muita gente apenas dizendo ‘amém’”, afirmou.

Ela rebateu críticas de que as emendas seriam “tarefa do Executivo”, lembrando que o Parlamento possui competência constitucional para propor mudanças no orçamento.

EMENDAS ERAM AUTORIZATIVAS

Segundo a deputada, a proposta não engessava o governo:

“Demos autonomia para negociar, mas não vimos comprometimento.”

“SER PARLAMENTAR É CUIDAR DE VIDAS”

No trecho mais emocional do discurso, Cláudia pediu desculpas aos trabalhadores da saúde:

“Eu me sinto envergonhada. Peço desculpas por tanta humilhação que vocês sofreram ouvindo promessas que não foram cumpridas.”

Ao encerrar, ela reforçou que o papel do Legislativo deveria ser mais responsivo:

“Ser parlamentar é cuidar de vidas. É resolver problemas reais. E hoje, infelizmente, é lamentável o que estamos vivendo.”
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