Entidades reconhecem avanços recentes, mas apontam necessidade de reajustes mais robustos para ampliar o poder de compra dos trabalhadores.
Porto Velho, Rondônia - As centrais sindicais brasileiras celebraram, nesta quarta-feira (14), os 90 anos da Lei do Salário Mínimo, criada em 1936, destacando a importância do piso nacional como instrumento de proteção social e distribuição de renda. Ao mesmo tempo, as entidades defendem o aprimoramento da política de reajustes, com ganhos reais mais consistentes e caráter permanente.
Representantes das principais centrais afirmam que o salário mínimo continua sendo referência essencial para milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas em todo o país, influenciando diretamente a economia e o consumo interno.
INSTRUMENTO DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, o salário mínimo exerce um papel estratégico no equilíbrio social.
“O salário mínimo é fundamental porque baliza as categorias que não têm piso salarial e também os aposentados e pensionistas. Ele acaba sendo um importante instrumento de distribuição de renda em nosso país”, afirmou.
Segundo Juruna, a política de reajuste com aumento real, conquistada após mobilização sindical e aprovada no Congresso, permitiu avanços significativos ao longo dos anos. Ele lembra que, em períodos anteriores, os reajustes ficaram restritos à reposição inflacionária, cenário que começou a mudar recentemente.
DEFESA DE RECUPERAÇÃO MAIS ACELERADA
Na avaliação de Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o salário mínimo ainda está aquém do necessário para atender plenamente às demandas da classe trabalhadora.
“Para os trabalhadores da ativa, o salário mínimo é um colchão, um referencial importante, mas ainda insuficiente. É preciso uma política de recuperação mais acelerada”, destacou.
Camargo defende que a valorização do salário mínimo seja transformada em política de Estado, com regras permanentes, evitando descontinuidades ao longo dos governos.
GARANTIA CONSTITUCIONAL E PODER DE COMPRA
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ronaldo Leite, também ressaltou a relevância do piso nacional como garantia básica para os trabalhadores.
“O salário mínimo é uma garantia fundamental. O fato de existir um piso constitucional assegura, minimamente, o poder de compra da classe trabalhadora”, afirmou.
Segundo Leite, apesar da retomada da política de valorização, houve perda de poder aquisitivo ao longo dos anos. Ele citou cálculos do Dieese, que estimam que o valor ideal do salário mínimo atualmente deveria ser de R$ 7.106,83, considerando as necessidades básicas de uma família.
IMPACTOS NA ECONOMIA E NO DESENVOLVIMENTO
As centrais sindicais defendem que a valorização do salário mínimo tem reflexos diretos na economia, estimulando o consumo interno, fortalecendo campanhas salariais e contribuindo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Para as entidades, o desafio agora é consolidar uma política contínua de reajustes que assegure ganhos reais, promova justiça social e contribua para o desenvolvimento sustentável do país.
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