Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante audiência na Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados — Foto: Lula Marques/Agência Brasil (Alô Rondônia)
Porto Velho, Rondônia - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira (15) que a instituição não leva em conta a “estatura política” de investigados ao apurar possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares. Segundo ele, a atuação da PF é pautada exclusivamente por critérios técnicos, legais e institucionais.
A declaração foi feita durante um café da manhã com jornalistas, realizado na sede da Polícia Federal, em Brasília, onde Rodrigues apresentou um balanço das atividades da corporação ao longo do ano.
“Vamos com serenidade, seriedade e responsabilidade apurar todos os elos desse processo, a participação de quem quer que seja. Não estamos olhando para a estatura política, econômica ou social”, afirmou o diretor-geral.
Operação Transparência apura desvios no orçamento
As declarações ocorrem no contexto da Operação Transparência, deflagrada na última sexta-feira (12), que investiga suspeitas de desvios no chamado orçamento secreto — mecanismo de emendas que, por anos, dificultou a identificação de autores e beneficiários finais dos recursos públicos.
Segundo a Polícia Federal, as apurações buscam identificar desde a execução na ponta até eventuais intermediários e possíveis envolvimentos de parlamentares ou servidores públicos.
“O trabalho é investigar todas as etapas: se houve comprometimento na execução, se houve intermediários e se houve envolvimento político. Todos os elos serão apurados”, reforçou Rodrigues.
Decisão do STF e foco técnico das apurações
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu buscas e apreensões na Câmara dos Deputados e na residência de uma servidora do Legislativo apontada como peça central na organização e liberação de recursos das emendas investigadas.
De acordo com a decisão judicial, há indícios de uma atuação “contínua, sistemática e estruturada” na condução dos repasses, o que motivou o aprofundamento das investigações.
Rodrigues destacou que a PF atua de forma inabalável a pressões políticas e criticou a tentativa de personalizar ou direcionar as investigações. “Não se trata de fulanizar apurações. O foco é o fato, o recurso público e o cumprimento da lei”, afirmou.
Emendas são legítimas, diz diretor da PF
O diretor-geral fez questão de diferenciar a investigação de desvios do próprio instrumento das emendas parlamentares. Segundo ele, a PF não criminaliza a atividade política nem o uso das emendas, desde que estejam dentro da legalidade.
“A emenda parlamentar é um instrumento legítimo, legal e importante. O que precisa ser apurado é o eventual uso indevido, fora das normas”, concluiu.
Rodrigues evitou informar quantos inquéritos estão atualmente em andamento envolvendo emendas parlamentares, ressaltando que diversas investigações seguem sob sigilo judicial no Supremo Tribunal Federal.
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