Consórcio Mamoré vence licitação para construção de ponte binacional entre Brasil e Bolívia

Projeto da ponte entre Brasil e Bolívia — Foto: Ministério dos Transporte/Divulgação. // Obra histórica ligará Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerín, na Bolívia, com investimento de R$ 421 milhões e previsão de conclusão em até três anos

Porto Velho, Rondônia  — O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou, nesta semana, que o Consórcio Mamoré foi o vencedor da licitação para a construção da ponte internacional que vai ligar o município de Guajará-Mirim, em Rondônia, à cidade boliviana de Guayaramerín. A obra, considerada estratégica para a integração regional e o comércio bilateral, terá 1,22 km de extensão e será erguida sobre o rio Mamoré.

O projeto faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, e tem investimento total de R$ 421 milhões. A licitação inclui não apenas a execução da ponte, mas também a elaboração dos projetos básico e executivo, os acessos rodoviários e a construção de um complexo de fronteira.

O processo estava suspenso desde outubro de 2023 por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), mas foi retomado neste ano após ajustes e reavaliação dos critérios de contratação.

Integração histórica

A construção da ponte binacional cumpre um acordo diplomático centenário entre Brasil e Bolívia que visa fortalecer a integração física e econômica entre os dois países. Segundo o Ministro dos Transportes, Renan Filho, o início das obras está previsto para seis meses após a contratação, com prazo de execução estimado entre dois anos e meio e três anos.

“A empresa vencedora terá a responsabilidade de elaborar o projeto e, em até seis meses, iniciar as obras. Trata-se de uma estrutura que vai integrar o desenvolvimento do Norte do Brasil, do Centro-Oeste também, ao desenvolvimento da Bolívia. E mais que isso, criará um corredor que pode chegar até o Chile e o Peru, fortalecendo a logística brasileira rumo ao Pacífico”, declarou o ministro.

Potencial econômico e estratégico

Além de seu papel na integração regional, a ponte deve gerar impactos diretos no comércio de Rondônia e na logística de exportações. Atualmente, Rondônia enfrenta limitações na sua conexão com rotas internacionais. A nova estrutura facilitará o acesso a portos do Pacífico, favorecendo o escoamento de grãos, carnes e outros produtos.

Por outro lado, o Brasil poderá ampliar a importação de produtos bolivianos, como destacou o ministro de Obras Públicas da Bolívia, Edgar Montaño. “Essa ponte é importante porque nós temos para oferecer ao Brasil lítio, sal para o gado e produtos exóticos que a Bolívia produz. Será uma via de mão dupla para o desenvolvimento dos dois países”, afirmou Montaño.

Presença institucional

A assinatura do edital de licitação ocorreu em 2023, na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília (DF), com a presença de representantes dos governos do Brasil e da Bolívia, incluindo o prefeito de Guayaramerín e parlamentares de Rondônia.

Com a definição do consórcio responsável, o projeto entra agora na fase de elaboração dos estudos técnicos e ambientais. A expectativa é que a construção gere empregos diretos e indiretos na região e impulsione o desenvolvimento socioeconômico da fronteira.

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