Direito fundamental de matar: França põe aborto na Constituição

Trata-se de uma vitória ideológica da esquerda, que há vários anos defende que o direito ao aborto seja consagrado na Constituição. Reprodução/X

Porto Velho, Rondônia - Deputados e senadores reúnem-se esta segunda-feira, 4 de março, no Palácio de Versalhes para ratificar a reforma da lei fundamental que inclui o aborto na Constituição francesa.

Esta segunda-feira, 4 de março, os 925 parlamentares das duas Câmaras foram convocados pelo Presidente da República, Emmanuel Macron, para uma reunião excepcional do Congresso, no Palácio de Versalhes.

Após a votação do Senado na última quarta-feira, validando nos mesmos termos da Assembleia o projeto de lei que visa incluir o direito à interrupção voluntária da gravidez (aborto) na Constituição, senadores e deputados são chamados a decidir pela última vez sobre o texto do governo a ratificar a inclusão deste direito na lei fundamental.

Para ser aprovado definitivamente, o texto deverá ser votado por três quintos dos parlamentares. Salvo grandes surpresas, este será o caso, dadas as votações em ambas as câmaras: em 30 de janeiro, a Assembleia optou por aprovar o texto por 493 votos a 30 antes que o Senado fizesse o mesmo, em 28 de fevereiro, por 267 votos a 50.

Trata-se de uma vitória ideológica da esquerda, que há vários anos defende que o direito ao aborto seja consagrado na Constituição.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema-esquerda, La France Insoumise (LFI), escreveu em seu perfil no X: “A inclusão do direito ao aborto na Constituição é o resultado de uma longa luta pelo humanismo. Questão: o ser humano é o único senhor de si mesmo. Ele foi inscrito pela primeira vez num programa político em 2012, com o meu discurso na Bastilha. Na Assembleia e no Senado, duas mulheres envolvidas durante muito tempo envolveram-se com sucesso na batalha parlamentar final: Mathilde Panot, deputada da LFI e Melanie Vogel, senadora da EELV”

O assunto em cima da mesa em junho de 2022

Em junho de 2022, porém, foi uma macronista, Aurore Bergé, então chefe do grupo Renaissance na Assembleia, quem colocou o assunto na mesa, ao apresentar um projeto de lei com o objetivo muito claro de conseguir uma votação positiva.

Como pano de fundo, estava a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, poucos dias antes, de revogar o direito ao aborto. O governo apoioi a ideia, através da então primeira-ministra, Élisabeth Borne.

Poucos meses depois, em Novembro do mesmo ano, outra iniciativa, a da Insoumise Mathilde Panot, foi amplamente validada pela Câmara Baixa, com a aprovação do campo macronista, enviando um primeiro sinal positivo aos defensores da constitucionalização.

Em fevereiro de 2023, o Senado, até então resistente à ideia, por sua vez votou a favor de um projeto semelhante proposto pela ecologista Mélanie Vogel, após ter tido o cuidado de reescrever, através do senador LR Philippe Bas, o título do texto.

Emmanuel Macron anunciou então, alguns meses depois, em outubro de 2023, a sua vontade de tomar novamente a iniciativa num projeto de lei para acelerar o calendário.

Emmanuel Macron não estará presente

A partir de agora, todos são esperados em Versalhes, no lendário Salão de Congressos, grande hemiciclo construído em 1875, numa parte do castelo fechada ao público, a Ala Midi, que foi residência dos filhos de Luís XIV.

Um cenário suntuoso com inúmeras referências monárquicas onde, desde o início da Quinta República, se convocam todas as reuniões das duas câmaras destinadas à adoção de revisões constitucionais.

A sessão será presidida pelo Presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet. Será o primeiro-ministro, Gabriel Attal, quem falará primeiro, para defender a inclusão do direito ao aborto na Constituição.

Fonte: O Antagonista
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