Conheça o veleiro do Greenpeace que estreia em águas brasileiras para avaliar impactos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Expedição Costa Amazônica Viva vai documentar a dinâmica das águas costeiras e oceânicas da Margem Equatorial, registrar biodiversidade da região e avaliar possíveis impactos da perfuração de poços no local

Porto Velho, RO - O governo brasileiro ainda busca a liberação da exploração de petróleo em alto mar na região da Bacia da Foz do rio Amazonas, situado na chamada Margem Equatorial, que foi negada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em maio do ano passado. Agora, um novo ator internacional entra na polêmica: o Witness, veleiro do Greenpeace, está em águas brasileiras para a Expedição Costa Amazônica Viva.

A embarcação vai navegar pela costa do Amapá e do Pará, levando pesquisadores do Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) para coletar dados sobre as correntes marítimas da região. A ideia da ONG é colaborar com a avaliação dos possíveis impactos ambientais da atividade na região.

— Tanto as correntes, quanto os ecossistemas da bacia da Foz do Amazonas, fundamentais para a geração de renda e subsistência local, ainda são insuficientemente conhecidos pela ciência. Ou seja, estamos diante de um acirramento da pressão pela exploração de petróleo em uma área extremamente sensível sem, sequer, ter a dimensão dos impactos dessa atividade — afirma Marcelo Laterman, porta-voz da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, em comunicado.

Veleiro Witness no estaleiro — Foto: Divulgação/Marten van Dijl/Greenpeace

O Witness é uma das cinco embarcações da frota utilizada pelo Greenpeace. Estreante em águas brasileiras, o veleiro possui 22,5 metros de comprimento e, devido à elevação da quilha e do leme, é capaz de navegar em águas rasas e inacessíveis a barcos maiores.

Entre as novidades tecnológicas implementadas no barco estão adaptações para que ele seja mais ecológico, como o uso de painéis solares, turbinas eólicas e um sistema otimizado de gerenciamento de energia. Desde a primeira viagem, há mais de 50 anos, os navios do Greenpeace são usados em ações, protestos e iniciativas de pesquisa ambiental ao redor do mundo.

“Em caso de derramamento, a maré carregaria o óleo para outras áreas. A modelagem de dispersão apresentada pela Petrobras – um dos parâmetros usados para identificar os riscos de uma perfuração – indica que o petróleo não tocaria a costa brasileira, mas a informação foi recebida com ceticismo por oceanógrafos de referência no país. Sem consenso científico, a exploração se torna ainda mais arriscada”, diz a ONG em comunicado sobre a missão.

Mapa de atuação do veleiro do Greenpeace — Foto: Divulgação

Segundo o Greenpeace, os pesquisadores lançarão sete equipamentos oceanográficos que emitem sinais de localização GPS em diferentes pontos da Bacia da Foz do Amazonas para mapear as correntes de superfície no litoral do Amapá. Cada derivador foi nomeado em homenagem a uma espécie da costa amazônica e o movimento deles poderá ser acompanhado com atualizações diárias.

O principal risco, que vem sendo relatado, é que a região em que o poço seria perfurado está a 830 km de Belém (PA). É a capital paraense que tem a estrutura de resguardo e apoio a um eventual acidente, disse o presidente do Ibama. Em uma eventual exploração de petróleo na região, essa estrutura de apoio precisaria estar situada em Oiapoque (Amapá), a 179 km da área de exploração, segundo o órgão.

Margem Equatorial — Foto: Editoria de Arte


Fonte: O GLOBO
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