
A mineira Turmalina foi o município com a maior elevação de temperatura, até 5,52 graus Celsius acima da média das máximas diárias. As únicas exceções fora do Vale do Jequitinhonha são a vizinha baiana Urandi (14º lugar) e a também mineira Confins (17º).
Para identificar os lugares do Brasil que mais esquentaram, aqueles que tiveram as maiores anomalias de temperatura positiva, a cientista Ana Paula Cunha e sua equipe do Cemaden analisaram dados de estações meteorológicas oficiais e de satélite de todos os 5.570 municípios brasileiros nos 12 meses de 2023. E compararam cada mês com a climatologia para o respectivo período.
O calor extremo do Jequitinhonha não surpreendeu os pesquisadores. Trabalho anterior da própria Cunha e outros cientistas do Cemaden já havia indicado essa como uma das áreas que mais esquentaram nos últimos 60 anos no país.
Cunha salienta que todo o Brasil, à exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul e parte do litoral da Bahia, esteve mais quente em 2023, o mais extremo em décadas de elevação da temperatura. Os dados do início de 2024 ainda não estão completamente analisados.
— A tendência de aumento de temperatura é bem clara do Norte do Paraná para cima. Supera até mesmo a prevista pelo IPCC, que concentrava o agravamento do calor no Norte e no Nordeste. Mas Centro-Oeste e partes do Sudeste têm esquentado demais — enfatiza Cunha.
Nada menos que 45 municípios tiveram anomalias iguais ou superiores a 5°C, todos em Minas e Bahia. Trinta e oito são mineiros, 28 no Vale do Jequitinhonha, 10 em áreas vizinhas, apenas Confins de fora. Todos os sete baianos são contíguos ao vale.
E 343 municípios registraram anomalias de 4°C a 4,98°C, também muito altas. Elevações de temperatura assim revelam a brutalidade do clima. Três ou mais dias com 5°C acima da média da máxima é o critério que se costuma usar para caracterizar uma onda de calor. Cinco graus de elevação são o que climatologistas classificam como extremo.
Fonte: O GLOBO