Porto Velho, RO - Parte dos moradores de Maceió enfrenta dias de tensão diante da situação de emergência decretada pela prefeitura da capital alagoana na última quarta-feira (29). O motivo é o iminente colapso em uma das minas de sal-gema exploradas pela petroquímica Braskem no bairro do Mustange. Esse incidente é mais um capítulo de uma história que se arrasta desde 2018, quando afundamentos foram registrados em cinco bairros, obrigando cerca de 60 mil residentes a se mudarem.
O risco de colapso em uma das 35 minas da Braskem vem sendo monitorado pela Defesa Civil de Maceió, e o alerta foi dado devido ao avanço nos afundamentos. A petroquímica admite a possibilidade de um grande desabamento, o que geraria um tremor de terra e poderia abrir uma cratera maior que o estádio do Maracanã. As consequências, no entanto, ainda são incertas, e o governo federal está acompanhando de perto a situação.
Mas afinal, o que é o sal-gema? Ao contrário do sal de cozinha comum, obtido do mar, o sal-gema é encontrado em jazidas subterrâneas formadas há milhares de anos pela evaporação de porções do oceano. Essa variedade de cloreto de sódio é acompanhada por diversos minerais, e é utilizada não apenas na cozinha, mas também como matéria-prima na indústria química.
A exploração do sal-gema em Maceió começou em 1976 e, ao longo dos anos, tornou-se essencial para a produção de dicloroetano, utilizado na fabricação de PVC. A Braskem, desde 2012, é a maior produtora de PVC do continente americano, impactando diversas indústrias, como as de celulose e vidro.
A extração do sal-gema, como de outros minerais, requer licenciamento ambiental e é fiscalizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O Brasil é um importante ator nesse mercado, embora China, Índia e Estados Unidos liderem a produção mundial.
O problema em Maceió surgiu devido a vazamentos da solução líquida usada na extração, que causaram buracos na camada de sal. Esse problema, somado a falhas geológicas, resultou em afundamentos e tremores em 2018. Em resposta, a Braskem encerrou a exploração das minas em 2019, mas os impactos continuam.
Até o momento, a petroquímica pagou R$ 3,7 bilhões em indenizações e auxílios financeiros, mas muitos afetados buscam reparação por meio de processos judiciais. O Ministério Público Federal também está envolvido em ações relacionadas ao caso, tornando a situação complexa e delicada para a comunidade afetada.
Fonte: O observador
