
Porto Velho, RO - Na terça, Lula descreveu a seca na Amazônia como “uma demonstração de que a questão climática é mais séria”. “O planeta está se revoltando. O planeta está dizendo: ‘Não me destruam, porque sou capaz de destruir vocês antes’. E o ser humano precisa pensar nisso”, afirmou, em seu programa semanal de rádio.
A seca já afeta mais de 600 mil pessoas apenas no Amazonas. Dos 62 municípios do estado, 60 terminaram a semana em situação de emergência. O Rio Negro, que banha Manaus, vive a maior vazante em 121 anos de medição. A estiagem isola comunidades ribeirinhas, compromete a pesca e dificulta o acesso à água potável.
Em meio à crise climática, aliados do governo tentam liberar na marra o asfaltamento da BR-319. Um dos campeões do lobby é o senador Omar Aziz, que já chamou a ministra Marina Silva de “retrógrada” por apontar problemas ambientais no projeto.
Estudos mostram que a pavimentação de rodovias favorece a grilagem de terras e acelera o desmatamento ilegal da floresta. Na prática, liberar esse tipo de obra equivale a contratar novas secas — iguais ou piores que a atual.
Lula deveria sair em defesa da ministra, mesmo que isso o obrigue a contrariar aliados. Parece mais fácil apelar à consciência alheia e discursar sobre os humores do planeta.
Fonte: O GLOBO