Arcabouço fiscal: governo tem semana decisiva para aprovar nova regra para as contas públicas. Entenda

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Arcabouço fiscal: governo tem semana decisiva para aprovar nova regra para as contas públicas. Entenda

Integrantes da equipe econômica avaliam que texto do novo regime fiscal só será alterado para endurecimento das regras

A semana começa com a expectativa de votação do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, que deve ocorrer na quarta-feira. A equipe econômica do governo Lula acredita que o substitutivo do relator, Claudio Cajado (PP-BA), não deve sofrer alterações significativas e, caso ocorram mudanças, serão no sentido de endurecer as regras e não flexibilizá-las.

O relator previu ontem votação entre terça e quarta-feira. O PT e deputados da base aliada, como PDT e PSB, pedem e retirada do Fundeb e do piso da enfermagem do limite de gastos imposto pela regra.

Claudio Cajado tenta convencê-los de que é mais viável manter as medidas dentro da meta fiscal, com a possibilidade de correção pela inflação e crescimento real e garante que o Fundeb continuará tendo aumento progresso ano.

— Você estando dentro da base, você colabora para a expansão da base e, consequentemente, tem condições de ter aumento acima da inflação, com ganho real. O Fundeb não perde nada — disse Cajado em entrevista a Globonews na noite de domingo.

A urgência do novo regime fiscal foi aprovada na semana passada por 367 votos favoráveis e 102 votos contrários, permitindo que o projeto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, caminhasse diretamente ao plenário, sem passar por comissões temáticas.

A federação PSOL-Rede encaminhou voto contra à urgência, mesmo sendo da base de governo, se juntando ao PL, Novo, lideranças da minoria e oposição. Os blocos liderados pelo União Brasil-PP e MDB-Republicanos encaminharam favoravelmente, assim como a federação PT, PCdoB e PV.

PSOL e Rede justificaram que gostariam de mais tempo para debater a proposta do novo regime fiscal.

— Alguns partidos de extrema esquerda, como PSOL e, eventualmente, a Rede, tem um modelo de gestão diferente, em que se pode gastar tudo. A grande maioria não concorda — afirmou Cajado.

O projeto prevê que o crescimento real da despesa fica limitado a 70% da variação da receita apurada em 12 meses. Mas o aumento só pode variar de 0,6% a 2,5% ao ano.

Caso o poder executivo veja a extrema necessidade de elevar esse crescimento, poderá solicitar, em mensagem ao Congresso Nacional a ultrapassagem da marca, desde que compense com o corte de gastos em outras áreas.

Bolsa Família

O programa Bolsa Família não está automaticamente excluído das sanções previstas no projeto do arcabouço fiscal em caso de descumprimento das metas. Isso só acontecerá se o Poder Executivo enviar um projeto de lei propondo compensações para os aumentos de despesas com o programa.

Já o salário mínimo não será impactado pelas punições em caso de não contingenciamento fiscal e continuará com correção real.

Medidas de ajuste e travas

Caso a meta fiscal seja descumprida por um ano, o governo fica proibido de:

  • Criar cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa;
  • Alterar estrutura de carreira que implique aumento de despesa;
  • Criar ou majorar auxílios;
  • Criar ou reajustar despesas obrigatórias;
  • Conceder ou ampliar incentivos fiscais.
Se as metas foram descumpridas por dois anos, ficam proibidos, além de todas as medidas anteriores:
  • Aumento e reajuste de pessoal;
  • Admissão de pessoal;
  • Realização de concurso público.

Fonte: O GLOBO
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