Porto Velho, Rondônia - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a independência do Banco Central e o patamar da Selic — taxa básica de juros —, praticada pela instituição. Em discurso durante a posse de Aloizio Mercadante como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o petista convocou os empresários a cobrar por uma diminuição da taxa, sustentando ser uma 'vergonha' os aumentos de juros.
"É só ver a carta do Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central] para a gente ver que é uma vergonha esse aumento de juros e a explicação que deram à sociedade brasileira. A classe empresarial precisa aprender a cobrar pelas taxas altas de juros", discursou Lula.
O presidente lembrou que, nos mandatos anteriores, o BC era dependente do governo e que, por isso, constantemente, recebia cobranças para diminuir a Selic. A independência da instituição financeira como forma de resolver o problema da taxa de juros foi um "ledo engano", afirmou Lula. "O problema é que esse país tem uma cultura de viver com juros que não combina com a necessidade do crescimento", completou.
Lula tem se movimentado para revisar a autonomia do Banco Central, tomando como ponto de partida a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. Economistas avaliam a iniciativa como retrocesso.
A autonomia do Banco Central existe desde fevereiro de 2021, com alternância dos mandatos do presidente e dos diretores da instituição não coincidente com o do presidente da República.
Dívidas ao BNDES
Durante a fala, Lula falou sobre a dívida que países como Cuba e Venezuela têm após tomarem empréstimos do BNDES. O presidente culpou o ex-chefe do Executivo pelo não pagamento. "Países que não pagaram é porque o presidente [Jair Bolsonaro] resolveu cortar relação internacional e para não cobrar e ficar nos acusando", disse.
Lula afirmou "ter certeza" de que os valores serão pagos no atual governo "porque são todos países amigos do Brasil e certamente pagarão a dívida que tem com o BNDES". Por outro lado, o chefe do Executivo sustentou ser "mentira" que a instituição deu dinheiro para países amigos do governo. "O banco financiou serviço de engenharia de empresas brasileiras em nada menos que 15 países da América Latina, Caribe, entre 1998 e 2017", completou.
O novo presidente do BNDES foi cobrado por Lula para intensificar a atuação do banco de forma a contribuir com o crescimento econômico brasileiro. "Esse país tem que ser reconstruído e não pode demorar. O BNDES precisa urgentemente voltar a ser o banco indutor do desenvolvimento e crescimento econômico", disse o petista, frisando que não se pode ter "medo de emprestar dinheiro para o Estado, se tiver capacidade de endividamento".
Na avaliação de Lula, o Estado precisa incentivar a iniciativa privada a investir, quando ela não injeta por demanda própria.
Fonte – R7