Adèle Haenel anuncia aposentadoria do cinema aos 33 anos: ‘uma indústria reacionária, racista e patriarcal’


Atriz é conhecida pelo trabalho no premiado 'Retrato de uma jovem em chamas' (2019)

Porto Velho, RO - A atriz francesa Adèle Haenel, de “Retrato de uma jovem em chamas”, anunciou sua aposentadoria do cinema por não concordar com a forma como mulheres e minorias são tratadas pela indústria. Ela também revelou que deixou o projeto de “The empire”, novo filme de ficção científica do cultuado diretor Bruno Dumont por se sentir frustrada com a abordagem da produção sobre temas sérios.

— Não faço mais filmes. Por motivos políticos. Porque a indústria cinematográfica é absolutamente reacionária, racista e patriarcal — diz Haenel, de 33 anos, em entrevista ao veículo alemão FAQ. — Somos enganados quando dizemos a nós mesmos que aqueles que estão no poder possuem boa vontade e que o mundo está caminhando na direção correta sob sua boa e às vezes inábil gestão. Claro que não. A única coisa que move a sociedade estruturalmente é a luta social. E parece-me que, no meu caso, sair significa lutar.

Em 2020, Adèle Haenel ficou marcada por abandonar em protesto a cerimônia do César Awards após a premiação de Roman Polanski, condenado por estupro de incapaz de uma menina de 13 anos após consumo de drogas e álcool numa festa nos anos 70, nos Estados Unidos. Antes disso, em 2019, ela acusou o diretor francês Christophe Ruggia de tê-la assediado durante as filmagens de seu primeiro trabalho, “Les diables” (2002), quando tinha apenas 13 anos. Ruggia foi detido no ano seguinte.

A atriz é um importante nome do cinema francês. Além de “Retrato de uma jovem em chamas”, trabalhou em produções marcantes como “Lírios d'água” (2007), “L'Apollonide: Os amores da casa de tolerância” (2011) e “120 batimentos por minuto” (2017).

Sem fazer um novo filme desde 2019, Haenel revela que irá concentrar sua atenção no teatro a partir de agora. No entanto, ela deixa a porta aberta para, no futuro, fazer um “outro tipo de cinema” com cineastas como Céline Sciamma e Gisèle Vienne.

Fonte: O Globo


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