Também diretora e roteirista, a italiana trabalhou com alguns dos principais cineastas de seu país
Porto Velho, RO - A atriz italiana Monica Vitti, musa do cineasta Michelangelo Antonioni, morreu aos 90 anos, informou nesta quarta-feira (2) o ministro da Cultura, Dario Franceschini.
"Adeus Monica Vitti, adeus à rainha do cinema italiano. Hoje é um dia verdadeiramente triste, morre uma grande artista e uma grande italiana", escreveu o ministro em um comunicado depois de recordar a longa carreira da atriz, tanto em comédias quanto em dramas.
Vitti trabalhou com alguns dos principais cineastas de seu país, como Mario Monicelli, que desvelou seu potencial cômico em "A Garota com a Pistola", de 1968, e Alberto Sordi e Eduardo de Filippo. Foi a parceria com Antonioni —de quem foi também amante—, no entanto, que lhe trouxe a fama.
O olhar terno e melancólico, a voz rouca e sedutora e o cabelo indomável caracterizaram Monica Vitti, que encarnou de maneira perfeita as personagens atormentadas da "incomunicabilidade": "A Aventura" (1960), "A Noite", de 1961, "O Eclipse", de 1962 e "O Deserto Vermelho", de 1964, quatro filmes que colocaram Antonioni entre os mestres do cinema mundial.
"Tive a oportunidade de começar minha carreira com um homem de grande talento, mas também com força espiritual, cheio de vida e entusiasmo", afirmou a atriz em uma entrevista em 1982.
Nascida em Roma em 3 de novembro de 1931, Monica Vitti se formou em 1953 na Academia Nacional de Arte Dramática e iniciou a carreira no teatro, onde brilhou por seu talento cômico.
Graças a seus papéis coadjuvantes em filmes de comédia, ela foi descoberta por Michelangelo Antonioni, com quem rapidamente iniciou uma relação artística e sentimental.
A atriz interpretou a atormentada Claudia em "A Aventura", a atraente Valentina em "A Noite", a misteriosa Vittoria em "O Eclipse" e a neurótica Giuliana em "O Deserto Vermelho".
Ela brilhou em especial em "A Garota com a Pistola", filme de sucesso de Mario Monicelli lançado em 1968, em que interpretou Assunta, uma siciliana que persegue o homem que a "desonrou" até a Escócia.
Companheira de Antonioni de 1957 a 1967, Vitti se casou com o cineasta e diretor de fotografia Roberto Russo em 1995.
Em 2011, Russo anunciou que Vitti sofria de Alzheimer há quase 15 anos.
A atriz recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, incluindo cinco David di Donatello, maior prêmio do cinema italiano, um Leão de Ouro por sua carreira no Festival de Veneza e um Urso de Prata no Festival de Berlim.
No documentário "Mil e Uma Monicas", Antonioni afirma que admirava a atriz por sua beleza e versatilidade, exibindo talento tanto em papéis cômicos quanto dramáticos.
O mesmo documentário conta que Vitti despertou para a atuação na adolescência. Na volta da escola, sempre passava pelo casarão da Academia de Arte Dramática Nacional, onde via jovens gritando, sorrindo, chorando e se jogando no chão. "Parecia um hospício, mas com loucos felizes", afirma a atriz no longa.
Fonte: Folha de São Paulo