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Investigado pede restituição de Porshe de R$ 500 mil apreendida na operação Carga Prensada


Ação da PF desarticulou uma das maiores organizações do tráfico de drogas em RO. Porsche foi sequestrada no curso das investigações porque a polícia indicou que o veículo pertenceria ao 'acervo da quadrilha'

Porto Velho, RO - 
A operação Carga Prensada completa três meses, nesta quarta-feira (15), desde que foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em Rondônia. A ação ficou conhecida por desarticular uma das maiores organizações criminosas do tráfico de drogas no estado. Essa era a mesma quadrilha que participava Natielly Karlailly Balbino, filha do ex-deputado Nilton Capixaba.

Três meses depois da operação, de acordo com documentos obtidos pelo g1, vários dos suepeitos começaram a pedir na Justiça pela restituição de veículos que foram sequestrados pela PF.

Rafael de Oliveira Gomes foi um dos alvos que entrou com pedido de liminar para requerer a liberação de uma Porsche 718 Boxster, modelo 2020, no valor de R$ 500 mil.

A Porsche foi sequestrada no curso das investigações porque a polícia indicou que o veículo pertenceria ao "acervo de bens de um dos suspeitos de ser um dos líderes da organização criminosa".


Para pedir o veículo de volta, o investigado apresentou notas fiscais e outros documentos ao judiciário, indicando que todo os processos de compra e transferência da Porsche são anteriores aos pedidos de sequestro e bloqueio de bens autorizados pelo judiciário, bem como à data da deflagração da operação. Com isso, a Justiça de Vilhena autorizou a restituição do veículo a Rafael, no fim de novembro.

Uma outra pessoa requereu na Justiça uma Hilux sequestrada na operação. No pedido feito ao judiciário, o homem fundamentou ser supostamente uma terceira pessoa que havia adquirido o veículo de boa-fé em data anterior ao lançamento do bloqueio e restrição. Ele afirmou que havia comprado o automóvel da terceira pessoa quando não haviam pendências, bloqueios e restrições aos órgãos de trânsito.

O pedido de restituição foi aceito pela Justiça. "Com a demonstração regular da aquisição do automóvel pelo ora requerente em data anterior ao pedido de sequestro e bloqueio do bem e ante a inexistência de indicativos de possibilidade de algum vínculo seu com os fatos apurados ou mesmo com qualquer das pessoas investigados no respectivo inquérito policial, deixou de subsistir o embasamento material para manutenção da ordem de sequestro e bloqueio do referido automóvel,", diz o parecer do juiz.

Prisões após operação

Um dos últimos investigados preso foi Bruno Gustavo Medeiros de Siqueira, de 30 anos. Segundo apontou a investigação da polícia, Bruno era um dos beneficiários das transações financeiras da organização criminosa.

Um diálogo obtido no celular do líder da quadrilha revelou que Bruno participou de grande carregamento de droga, inclusive foi responsável pela logística, recebimento, preparação e entrega dos entorpecentes para Tiago Jaques, outro investigado na operação Carga Prensada.

A investigação indicou que houve tratativas sobre pagamentos de cheques após um carregamento de 53 quilos de droga, de Rondônia até Minas Gerais.

A prisão preventiva de Bruno Siqueira foi autorizada pela 2ª Vara Criminal de Vilhena (RO) no dia 14 de outubro, e ele foi preso no dia 18 do mesmo mês. Atualmente, conforme apurado pelo g1, Bruno está preso na Casa de Detenção de Vilhena.

Veículos apreendidos

No dia 15 de setembro, quando foi deflagrada a operação, a PF apreendeu 150 veículos da organização criminosa, entre Land Rover, BMW e Camaro, além de aeronave, lancha e imóveis comprados com o dinheiro ilícito do tráfico.

Em outubro, após desdobramentos da Carga Prensada, o delegado da PF de Vilhena pediu o sequestro de mais quatro veículos Hilux e um imóvel pertencentes aos membros da organização criminosa.

Segundo descoberto pela PF na investigação, os integrantes da quadrilha faziam o envio de grandes quantidades de cocaína de Rondônia, através de caminhões, para outros estados.


Ao menos 2,5 mil quilos de drogas foram apreendidos nos meses de investigação.


PF apreendeu carro de luxo durante operação Carga Prensada em RO — Foto: Divulgação/PF

Além disso, o grupo adquiria cargas de maconha do Mato Grosso do Sul para serem distribuídas nos estados de Rondônia e Acre.

Para lavar o dinheiro do tráfico, os suspeitos usavam uma casa de jogos de fachada, onde, de fato, ninguém era sorteado e os próprios integrantes da quadrilha ficavam com o dinheiro.

A PF também já sabe que a quadrilha atuava no comércio ilegal de armas de fogo, lavagem de capitais e falsidade ideológica.

Alguns dos integrantes da quadrilha gostavam de ostentar o 'luxo' nas redes sociais. Somente o bracelete de ouro de um dos investigados é avaliado em R$ 130 mil.

Filha de ex-deputado na organização

Entre as pessoas investigadas na operação está Natielly Karlailly Balbino, filha do ex-deputado Nilton Capixaba. Ela foi presa em Cacoal no 15 de setembro e no fim de outubro a Justiça autorizou que ela ficasse em prisão domiciliar, enquanto aguarda julgamento.


Natielly Karlailly Balbino, de 35 anos, foi presa em Cacoal — Foto: Facebook/Reprodução

Segundo documento apresentado pela PF ao judiciário, depois da operação foi descoberto que a filha do ex-deputado estaria praticando "ações voltadas à produção de documentos falsos em favor da organização criminosa, mantendo, inclusive, interação com os principais integrantes da organização criminosa".

Em uma conversa no celular do líder da organização criminosa, na qual a PF teve acesso, Natielly buscava meios pare recuperar uma caminhonete Hilux apreendida com seu esposo Tiago, após o mesmo ser flagrado transportando drogas em Goiás.

"Nos diálogos, Natielly e o líder da organização criminosa cogitam a possibilidade de ser confeccionada uma procuração falsa em um cartório pelo valor de R$ 2,5 mil", diz o relatório de análise material feito pela polícia e apresentado ao judiciário.

Ainda conforme a PF, a filha do ex-deputado queria reaver a caminhonete Hilux. Na casa de Natielly também foram apreendidos extratos bancários que constam movimentações vinculadas a um suspeito de fazer lavagem de dinheiro para a organização criminosa.

Inicialmente, Natielly foi alvo de mandado de prisão temporária e ainda em setembro ela tentou ir para prisão domiciliar, mas o pedido foi negado.

Após novas provas serem apontadas pela polícia, a justiça converteu a prisão temporária para preventiva.

A defesa de Natielly disse que vai provar a inocência da suspeita e que aguarda o resultado dos pedidos quanto à prisão preventiva.

Fonte: G1 Rondônia

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