Lula e Bolsonaro têm estratégia em comum para 2022, saiba qual

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Lula e Bolsonaro têm estratégia em comum para 2022, saiba qual



Porto Velho, Rondônia — Em campos opostos do espectro político, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm uma estratégia em comum para as eleições de 2022: aumentar a bancada no Senado para a construção de uma base de apoio forte. 

O plano é ter um grupo que possa, em alguns caso, reverter decisões da Câmara e, pelo menos, aprovar propostas com maioria simples.

Aliados avaliam que, ao contrário do que ocorre na Câmara dos Deputados, em que o presidente possui uma aliança com o presidente Arthur Lira (PP-AL), Bolsonaro tem experimentado dissabores no Senado. 

O exemplo mais nítido é a CPI da Covid, que se tornou um foco de denúncias contra o governo. Mas não é o único caso. Nas últimas semanas, o governo colecionou derrotas na Casa, como a minirreforma trabalhista, e constrangimentos, como a paralisação do processo de indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Não por acaso, Bolsonaro nomeou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil. A expectativa era que ele poderia ajudar na relação com a Casa. No ano que vem, serão renovadas 27 das 81 cadeiras do Senado.

Segundo bolsonaristas, nomes que vinham sendo preparados para disputar os governos estaduais passaram a ser cotados para o Senado. Entre eles estão o coronel Alfredo Menezes, liderança do Amazonas que é rival do senador Omar Aziz (PSD-AM), hoje inimigo do governo na CPI; o deputado José Medeiros (Podemos), no Mato Grosso; e o ministro do Turismo, Gilson Machado, em Pernambuco.

Integrantes do núcleo ideológico mais radical também passaram a ser considerados para tentar uma vaga ao Senado. Em São Paulo, o deputado estadual Gil Diniz (sem partido), próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro, diz que a deputada federal Carla Zambelli tem chances de ser candidata. Há ainda o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL), que tem feito movimentos de reaproximação com o presidente.

QUEM SÃO OS PRÉ-CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA EM 2022

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O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) lançou a sua pré-candidatura no partido. Foto: Roque de Sá/Agência Senado 19/11/2019


O MDB estuda lançar a candidatura de Simone Tebet, após a senadora chamar atenção na CPI da Covid Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo 26/06/2021


Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Foto: Edilson Dantas


O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: "Nos encontramos em 22". Foto: Isac Nóbrega/PR


A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo


Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018


Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo


O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo


Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo


Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo


O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil


Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil


Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg


Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Em Santa Catarina, estado que deu 65,8% dos votos a Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2018, o empresário Luciano Hang é uma opção, assim como o deputado federal Daniel Freitas (PSL). Procurado, Hang disse que se tornou ativista político desde a eleição passada, que está focado nos negócios e tem até os primeiros meses de 2022 para se decidir.

No Rio, os evangélicos Otoni de Paula (PSC), que é deputado federal, e o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), buscam o apoio da família Bolsonaro para a candidatura. No Rio Grande do Norte, a disputa se dá entre os ministros Fábio Faria (Comunicações) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

Entre os petistas, a eleição para o Senado está à frente da de governador na lista de prioridades. A ideia é lançar nomes de expressão como os atuais governadores do Ceará, Camilo Santana, e do Piauí, Wellington Dias. Aliados no campo da esquerda também são incluídos na estratégia de construir uma forte base de apoios a um eventual novo governo Lula. Nesse último grupo, estão o atual governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), e o deputado Alessandro Molon (PSB) no Rio.
Menos fisiologismo

Já como candidatos próprios são citados o deputado Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Recife João Paulo, em Pernambuco. Em 2018, com 54 cadeiras em disputa, o PT elegeu só quatro senadores.

O cientista político Carlos Melo afirma que é mais difícil para os presidentes terem controle do Senado porque os eleitos, em geral, pertencem a uma elite política, com a presença de ex-governadores e ex-presidentes, e menos suscetível ao fisiologismo.

— O ideal pra qualquer presidente é ter maioria nas duas casas. O Bolsonaro se descuidou com o Senado. Vejo cálculos do Lula mais sólidos para o Senado com figuras como governadores do que exponentes em redes sociais, como no caso de Bolsonaro — diz Melo.

Fonte: O Globo
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