Natália Cancian / Brasília, DF - Secretários estaduais de saúde divulgaram uma carta nesta segunda-feira (1) em que afirmam que o Brasil vive o “pior momento da crise sanitária” provocada pela Covid e pedem maior rigor em medidas para evitar um colapso em todo o país.
Entre as ações recomendadas, está a adoção de um toque de recolher nacional das 20h às 6h, suspensão das aulas presenciais e lockdown nas regiões “com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação de casos e mortes”.
O documento é assinado pelo Conass, conselho que reúne os 27 gestores da área. No texto, endereçado à “população brasileira”, o grupo cita a ausência de coordenação nacional como um dos fatores para a queda na adesão a medidas de isolamento e pede que haja um “pacto pela vida”.
Em uma espécie de alerta, o grupo diz que o agravamento da epidemia em diversos estados “leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil”.
Além do que chamam de “restrição em nível máximo das atividades não essenciais” em regiões com mais de 85% dos leitos ocupados, o que equivaleria a um lockdown, secretários recomendam que sejam vetados eventos, congressos e atividades religiosas em todo o país, suspensas aulas presenciais e adotado toque de recolher das 20h às 6h e fechados praias e bares, por exemplo.
O documento pede ainda que sejam “considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual”, além de adotadas medidas para reduzir a superlotação no transporte coletivo e ampliada a testagem de casos suspeitos.
“Entendemos que o conjunto de medidas propostas somente poderá ser executado pelos governadores e prefeitos se for estabelecido no Brasil um “Pacto Nacional pela Vida” que reúna todos os poderes, a sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, das grandes instituições religiosas e acadêmicas do País, mediante explícita autorização e determinação legislativa do Congresso Nacional.”
Ainda no documento, o grupo diz que a “ausência de condução nacional unificada e coerente” dificultou a adoção de medidas para reduzir interações sociais, que aumentaram nos últimos meses.
A divulgação da carta ocorre em um momento em que governadores e secretários de Saúde têm pedido ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, uma medida única para o país para frear o avanço da Covid-19.
A resposta, porém, tem sido negativa, segundo mostrou o Painel nesta segunda (1).
Na última quinta (25), o ministro chamou secretários de saúde para um pronunciamento sobre o agravamento da epidemia. No encontro, Pazuello chegou a citar três medidas prioritárias para lidar com a crise –como reforço ao atendimento imediato a pacientes com sintomas, aumento de leitos de UTI e reforço na vacinação–,mas evitou citar medidas simples e recomendadas por especialistas, como evitar aglomerações. O apelo coube aos gestores de saúde.
As informações são da FolhaPress
