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Médico dono de hospital em Porto Velho relata drama pessoal de não conseguir salvar irmão e amigo


Porto Velho, Rondônia  -
Ontem vivi um dia diferente como médico e surreal , pois os telefonemas que acabara de receber, pediam-me ajuda para arranjar duas vagas de UTI. O primeiro para um paciente, muito mais que um paciente, um irmão na fé.

O outro para o meu irmão de sangue e fé, que estava numa sessão de hemodiálise, estava passando mal precisando de tratamento intensivo e urgente. Não havia lugar em meu hospital.

Contudo o meu chefe de UTI estava preparando uma enfermaria com mais hum leito. Um dilema me foi colocado, para quem iria a vaga?. 

A médica da clinica de Nefrologia já havia ligado para o hospital solicitando a vaga, e todo o processo de transferência já havia sido dado e dependia somente da ambulância do SAMU para o ato.

Retornei a ligação para o filho do paciente - Renan , prontamente respondeu-me que havia surgido uma vaga no hospital que estava sendo o seu pai assistido. Tranquilizei-me. Desliguei o fone, instante tocou e a informação que chegava dava conta que meu irmão falecera.

Fui ao encontro de meus irmãos na casa da Vilany , e ao chegar por lá outra notícia que o paciente primeiro havia também falecido.

O primeiro era o Dr. Osmar da Rocha Campos, meu amigo de longos anos, forjado quando éramos da Igreja Batista Filadélfia, pois fazíamos estudos Bíblicos nos lares num dia da semana, e sua casa era um palco, onde discutíamos pontos da palavra de Deus. Aprendemos a nos amar , amar sua família, seus filhos amigos de meus filhos.

Osmar um promotor de justiça aposentado, que contribuiu com seu conhecimento e atuação na justiça deste estado , professor universitário, escritor com várias obras publicadas, de onde com sua permissão usei um trecho da visão do direito aplicado em uma tese no meu livro "Taquicardia".

Osmar era meu paciente e confiava muito em mim como seu médico, nas consultas não só estreitávamos nossos laços de amizade, pois nossas conversas invariavelmente tratavam da política a teologia.

Osmar era um homem que tinha uma relação com Deus profunda, eu sei em que cria e seu tesouro está guardado com aquele que o criou.

O segundo, Vulmar Nunes Coêlho, era meu irmão mais velho dos homens, o terceiro na hierarquia dos filhos. Nascido em Belterra - Pará , e foi o primeiro da família a vir morar em Porto Velho , nos anos 60.

Era de uma inteligência privilegiada , foi administrador de grandes empresas de construção do Brasil. gerou filhos e conheceu neta, e isso é privilégio, pois assim o diz a palavra: feliz é o homem que conhece os filhos de seus filhos.

Foi ensinado desde criança na escola Bíblica dominical , nos cultos domésticos, pois meus pais praticaram o que a palavra determina: Ensina a criança no caminho em que deve andar, pois quando crescer não se desviará dele.

Herdamos todos os homens da parte de meu pai, genes danosos aos nossos corações, dos cinco homens três tem Stents coronarianos, e dois tem pontes de safena, mamária e Stents.

Associado ao diabete mellitus, a doença arruinou sua função renal , e nos últimos cinco anos para manter-se vivo submetia-se a sessões de hemodiálises, incessantes , contínuas e pelas condições cardiovasculares as vezes diárias.

Sofria muito , contudo sua resiliência trazia a nós admiração de como enfrentava suas necessidades dialíticas. Tinha um carinho especial pelos funcionários da clinica NEFRON, em particular Dra. Sueli que cuidava com tanto carinho e atenção, a quem nós como família temos profundo agradecimento por tal dedicação.

Osmar e Vulmar tinham algo em comum , ambos criam em Jesus como salvador de suas vidas, confiaram no salvador até seus últimos dias, e sabemos que é precioso para Deus a colheita de seus separados. Louvaram em vida este Jesus que lhes garantiu que , aquele que crê em mim , ainda que morto viverá.

Chorei a morte de meus dois irmãos, mas há consolo que estão na glória de Deus. As patologias progressivas que minaram seus corpos mortais e trouxeram dores expressas na condição humana, já não mais sentem, pois estão na glória do pai.

Minha filha Lana veio a mim , para saber como estava me sentindo, eu disse : estou tranquilo. Ela arrematou, pai, hoje foi dia de colheita, e Deus disse, hoje eu vou dar um corpo novo a esses meus dois filhos.

As lágrimas me vieram no momento da impressão da frase, pois o espirito de Deus trouxe-me através dessas palavras, o é isso !!! é isso mesmo, Deus hoje restaurou o DNA de ambos pois estavam escrito no livro da vida.

Valter Nunes Coêlho Coelhinho
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